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Aventura: A Lanterna do Cais Cego

Sinopse para o Mestre (contém spoilers)

Origem: Sombra e Luz Conteúdo do suplemento Sombra e Luz.

⚠ Esta página é para o Mestre e contém revelações da aventura. Voltar à página da aventura.

Em 11 de março de 1931, a balsa Santa Inês voltava da festa do Rosário para a vila de Salinas quando encalhou no Banco da Moça, na barra do rio. Morreram 22 das 26 pessoas a bordo. O farol da Ponta estava apagado havia quarenta minutos. A faroleira, Ismênia Sales, 41 anos, ardia de febre e tinha pedido ao irmão Anacleto, ajudante do farol, que fosse buscar o médico: "eu seguro a lanterna". Ela desmaiou, acordou tarde, acendeu o farol, tocou o sino sem parar, jogou a corda do molhe e salvou quatro pessoas. A maré a levou.

Na manhã seguinte, a vila precisava de culpada. Disseram que "a lanterneira dormiu". Anacleto, que voltava com o médico, ouviu e calou. Ficou com o posto de faroleiro, criou a filha, depois a neta Dora, e por 26 anos foi um homem respeitado e silencioso.

A verdade que ninguém sabe: quem conduzia a balsa na barra era o prático Eusébio Quaresma, bêbado e apressado para chegar antes da maré. Ele ignorou o sinal da quilha, entrou pelo Banco da Moça e morreu com os demais. Acordou em Brumária, no Cais Seco, e se fez Capitão do Cais: reuniu quem morreu no mar, vendeu "horas de silêncio" e passou a se alimentar da culpa alheia. Para não encarar a sua, sustenta a história de que a faroleira foi a culpada. Acendeu no alto da Torre da Alfândega o Farol de Cinzas, uma luz suspeita que atrai quem perdeu alguém para a água.

O cerco. Ismênia acordou ao som do próprio sino. Quaresma lhe disse que o irmão calou para salvar o posto e que só quando Anacleto "descer ao cais" os 26 passageiros seriam libertados e o seu nome limpo. Ela acreditou, porque doía e porque era verdade em parte: Anacleto calou. Desde então reuniu os passageiros no Casebre das Redes, para que Quaresma não os recrute, e toda noite, em sonho, toca o sino para o irmão. Anacleto, torturado pelo remorso, levanta e vai ao mar. Agora, também a neta Dora começa a ouvir o sino.

O ciclo: culpa de Anacleto, ira de Ismênia, colheita de Quaresma, mais culpa. Ninguém ali é um monstro.

Como se rompe: (1) a memória verdadeira: o nome dos 26 e o rol dos quatro salvos pela corda; (2) a compaixão: ninguém acusa ninguém; (3) o livre-arbítrio: Anacleto conta a verdade por vontade própria, Ismênia larga o sino por escolha, Quaresma é convidado, não forçado. Ele pode recusar, e a aventura acaba bem mesmo assim.

Revelação em três camadas: (a) o assédio parece ser de uma "mulher da maré" vingativa; (b) ela é a irmã do faroleiro e protege os passageiros; (c) o culpado de verdade é quem mantém a história: Quaresma, no próprio Diário de Bordo (H6).

Fontes e atribuição

Sombra e Luz — criação de Jonas Ernesto Poli. Inspirado na literatura espírita — adaptação livre e não oficial.

Dungeons & Dragons e D&D são marcas da Wizards of the Coast; este trabalho não é afiliado nem endossado por ela. Contém material do System Reference Document 5.2.1 (CC-BY-4.0): ver o texto completo da atribuição.

Fontes de regras do compêndio e licenças