✧ Criação original.
Descrição
A Casa dos Fios é um hospital-escola de vínculos: recebe quem saiu de uma vida com relações machucadas, partidas ou nunca resolvidas (famílias, casais, amizades, pais e filhos que não se falavam) e quer cuidar disso com calma. Ocupa um edifício circular de seis andares, três quarteirões a leste da Casa do Saber, em Porto Sereno, mantido pela Casa do Amparo com apoio da Casa dos Elos.
A casa recebe cerca de 2.400 pessoas por vez, entre pacientes, aprendizes e visitantes. Ninguém é "julgado" aqui, ninguém é "consertado": o trabalho é entender como cada relação foi tecida e o que cada pessoa quer fazer com o fio que tem nas mãos, inclusive soltá-lo.
O emblema é um novelo de lã azul, e a casa gosta de metáforas têxteis: quartos são Teares, consultas são Pontos, os reencontros marcados são Nós Brandos.
Sensações
- Cheiro: lã molhada, chá de erva-cidreira, tinta de nanquim.
- Som: o murmúrio de conversas baixas, o estalo seco de agulhas de tricô (muitos pacientes tricotam para ocupar as mãos) e o toque do sino da Hora do Chá, às quatro.
- Luz: amarelo-baço, de lâmpada de sala de família.
- Detalhe: dos corrimãos das escadas pendem fios coloridos, atados por quem passou por ali, cada um com um nó e uma pequena etiqueta.
Quem vive ali
- Pacientes (os Enfiados): gente de todas as idades e épocas, em tratamento de semanas a anos.
- Terapeutas e Tecelãs: equipe do Amparo, treinada em escuta e em técnicas de ideoplastia, que "mostram" o fio de uma relação em forma de luz.
- Mediadores do Salão: voluntários de várias Casas de Ofício que conduzem encontros.
- Aprendizes de outras colônias que passam temporadas de estudo.
Perigos
- Memórias vivas. No Arquivo dos Fios, ver uma cena de dor de outra pessoa exige teste de Sabedoria (CD 13); falha causa Abalado por 1 hora e, em falha grave, a cena se imprime e vira pesadelo recorrente por uma noite.
- Visitas a pacientes agitados. A casa acolhe quem vem em desequilíbrio: Vibração baixa, gritos e, raramente, tentativas de agarrar visitantes. As equipes contêm sem violência.
- Pressão social. O risco maior não é físico: é o grupo empurrar um paciente para "perdoar" ou "voltar" antes da hora. A casa tem regra contra isso e deixa a pessoa recusar.
- Obsessão cruzada. Às vezes o vínculo que se quer cuidar inclui um espírito que ainda vive ao lado da pessoa na Crosta e não quer ser afastado.
Pontos de interesse
- Arquivo dos Fios. Subsolo de fichas de luz, uma para cada relação importante dos pacientes, só acessível com autorização do próprio. Cerca de 90 mil fios catalogados.
- Salão das Mediações. Sala redonda de pé-direito alto, com cadeiras iguais dispostas em círculo. Não é tribunal: ninguém é condenado, só se conversa, e qualquer um pode se levantar e sair. Mediadores conduzem, nunca decidem. Aceita casais, famílias, grupos de amigos, ex-sócios, vizinhos.
- Teares. Quartos individuais ou duplos, com janelas para um jardim de lavandas.
- Terraço das Cartas. Onde se escrevem cartas que nunca serão enviadas e, às vezes, são.
- Sala de Costura. Oficina onde os pacientes aprendem a consertar roupas e, de passagem, a conversar de lado, sem se olhar.
- Sala Branca. Pequena, para quem deseja ser deixado em paz por uns dias.
Aqui se atende qualquer configuração de família e de afeto: casais de qualquer gênero, famílias escolhidas, relações sem rótulo. Orientação sexual e identidade de gênero não são tratadas como problema e nenhuma equipe tenta mudá-las; o que se trabalha é como as pessoas tratam umas às outras.
Ganchos
- Uma paciente pede para falar com a filha encarnada, mas a filha, na Crosta, nega com veemência qualquer conversa. Como respeitar os dois?
- Dois irmãos chegaram juntos à casa e discutem sobre quem foi mais culpado em um acidente antigo; o Arquivo mostra uma terceira pessoa que ninguém lembrava.
- Um fio no Arquivo aparece em branco; alguém apagou o próprio registro, e isso nunca deveria ser possível.
- Uma Tecelã desconfia que um dos mediadores usa o Salão para empurrar acordos que beneficiam uma Casa de Ofício.
Na mesa
A Casa dos Fios serve de cenário de interpretação e investigação emocional. Cenas de mediação usam testes sociais (Persuasão, Intuição, Empatia) e um bom desfecho pode contar como Ato de Serviço (por exemplo, S6) quando o personagem realiza, em cena, um gesto genuíno de cuidado ou reconciliação. Quem cuida com Prática espiritual de escuta tem vantagem em testes para acalmar um paciente.
Sugestões de NPC: Eliane Furtado, Tecelã-chefe, de óculos de aro grosso e conversa mansa, que nunca corrige quem a chama pelo nome errado; Mário Nascimento, mediador voluntário, ex-marceneiro, que prefere ouvir a falar.