1.1 O que é
✧ Criação original. O bônus-hora é a ficha de serviço de cada morador: um registro pessoal de horas úteis, guardado no Livro de Horas da Casa do Leme e gasto como valor de troca. Cada Casa de Ofício emite o seu tipo (bônus do Recomeço, do Amparo, dos Elos, do Saber, do Farol), válido primeiro dentro da própria Casa e convertido nas demais com uma pequena taxa de câmbio, que o Conselho dos Faróis revê todo ano. Roupa simples, pão, água e um catre são produzidos em comum: ninguém fica sem o necessário. O que o bônus compra é conforto, escolha, estudo e, acima de tudo, voz para pedir providências por alguém. A conversão exata das horas é um costume humano; o valor verdadeiro do serviço, dizem os moradores mais antigos, só o Alto pode medir.
1.2 Regras e números do cenário
| Regra | Valor em Porto Sereno |
|---|---|
| Jornada mínima | 6 horas de serviço útil por dia, em cinco dias por semana |
| Horas extras permitidas | até 5 horas por dia, mediante registro no Livro de Horas |
| Teto semanal comum | 66 bônus-hora, alcançado por boa parte dos moradores |
| Serviço de risco (Samaritanos, Alas da Maré Baixa em turbulência) | pago em dobro; em missão de zona Densa, em triplo |
| Plantões noturnos de emergência | em dobro, no máximo duas noites por semana |
| Cuidar de crianças do bairro ou de órfãos recém-chegados | horas contadas em dobro |
| Turno máximo nas enfermarias | 10 horas por dia, salvo calamidade declarada |
| Casa própria | 24 mil bônus-hora; uma só moradia por família |
| Herança | ao reencarnar, o saldo volta ao fundo comum; a família conserva só a casa, que passa à fila de realocação se ninguém a quiser |
| Reserva típica de quem prepara um retorno à Crosta | cerca de 2 mil bônus-hora do tipo do Amparo |
| Uma moradora que se recusou a servir por oito anos | 190 horas registradas; a Mesa de Sete do Livro de Horas, sem repreender, apenas não abriu intercessões em nome dela |
| Servidor veterano | mais de 150 anos na cidade e cerca de 700 mil horas de serviço |
| Candidato a um posto de coordenação | cinco anos de serviço e o endosso de um Mestre de Casa |
| Ingresso para concertos na Praça das Harmonias | pago em horas; as sessões do amanhecer são gratuitas |
| Ao reencarnar | o Livro de Horas entrega ao interessado o resumo do "tempo global de serviço" |
Em outras colônias o sistema é parecido, com nomes próprios: em Rochedo Manso fala-se em "fichas de serviço" e há vales de visita a Porto Sereno por assiduidade; em Vila Ponte-Velha, os técnicos da Rádio da Ponte recebem adicionais por tarefa; em Alta-Fonte, o termo bônus-hora quase não é usado e o serviço se compensa em estudo e acesso.
1.3 O que o bônus compra e o que não compra
- Compra: a casa; a escolha da roupa; lazer, cursos e escolas; ingressos; e, sobretudo, intercessão: só pode pedir providências por alguém quem acumulou "títulos" de serviço. O tempo de serviço acumulado abre portas que o saldo sozinho não abre.
- Não compra: mérito (nada é dado por favor); coisas na Crosta; elevação.
- Lição recorrente: quem se recusa a cooperar com a comunidade não encontra a comunidade pronta a cooperar com ele. Não é castigo: é a simples lógica da sintonia.
1.4 Na mesa
- Regra: o bônus-hora é a moeda do módulo (1 BH = 1 PO nos preços); cada hora de serviço no tempo livre rende 1 BH, dentro do teto semanal sugerido pelo Mestre; plantões de emergência, cuidado de crianças e serviço de risco valem o dobro ou o triplo; as necessidades básicas são gratuitas; itens mágicos não se compram, são concessões.
- Além do BH gastável, o capítulo de equipamentos e economia sugere um Tempo de Serviço Útil opcional (horas acumuladas que abrem títulos e intercessões). O Mestre pode ainda guardar para si o proveito real de cada personagem, que pode ser diferente do saldo.
- Recompensar com BH o serviço prestado, não o número de almas "convertidas" (ver o Guia do Mestre).