Os personagens morreram. Não foram para um céu de nuvens nem para um inferno de chamas: despertaram com a mesma consciência, as mesmas saudades e as mesmas pendências, num mundo espiritual sobreposto à Terra. Há cidades de transição, como Porto Sereno, com cais, faróis, Casas de Ofício, hospitais, escolas, música e trabalho remunerado em bônus-hora. Há regiões de névoa e de lama, o Umbral, onde cada um encontra a paisagem que a própria mente construiu. Há cidades sombrias como Brumária, governadas "a título precário" por um prefeito que serve aos Regentes. E há a Crosta, o mundo dos vivos, onde a maior parte do trabalho acontece: lares, hospitais, cemitérios, bares e casas de oração de toda fé.
Os personagens são socorristas. Descem às sombras para buscar quem pede ajuda, protegem lares sitiados por obsessores, assistem moribundos na hora da morte, conduzem sofredores a hospitais e, às vezes, convencem um perseguidor a largar a vítima. Quase nunca vencem lutando.